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domingo, 10 de outubro de 2010

João Bez Batti



“Eu sonho acordado.
Estou sempre sonhando em descobrir uma escultura nova”



“Se eu fosse pensar no tempo que levo para fazer uma escultura, não seria escultor”



Nova casa/ateliê em Bento Gonçalves








Hoje conheci um homem de grande força! Bez Batti.

Escultor, artista, ser humano. Um ser humano diferente, como ele mesmo diz, diferente de muita gente, um peixe fora d'agua. Nascido em Venancio Aires (RS), mudou-se para General Camara, `as margens do Rio Taquari. E é no rio que ele descansa, refresca a cabeça.

O trabalho dele é de uma delicadeza absurda se pensarmos na dureza do material trabalhado, pedra basáltica, uma das pedras mais duras que existem.
O trabalho dele vai estar em São Paulo em novembro. Aguardem....

Vou pedir licença e colocar aqui um texto lindo que li, do Milton Ribeiro.

"Eu estava recém separado quando resolvi pegar as crianças e tirar uns dias num hotel fazenda. Escolhi a pousada da Don Giovanni. Nunca tinha ido lá e deixei meu filho Bernardo ser nosso navegador. Perdemo-nos várias vezes, dávamos risadas, mas chegamos, claro. Lugar lindo, acomodações perfeitas. Era uma quarta-feira gelada de inverno, quase zero grau. Ficaríamos até o domingo seguinte. No primeiro passeio, descobrimos algo que me pareceu do outro mundo. O escultor João Bez Batti, que não possui um site lá muito digno, tinha seu atelier numa casa dentro da fazenda. Já conhecia alguns de seus trabalhos. Havia algumas peças em exposição e fomos examinar cada uma delas quando o escultor chegou-se a nós timidamente, ouvindo e sorrindo ao que dizíamos, principalmente ao que diziam a Bárbara e o Bernardo. Ele puxou conversa com as crianças enquanto crescia em mim aquela conhecida dúvida de pai: estaríamos ou não incomodando?

Mais um pouco e fomos embora. Depois do almoço, fui babar minha depressão no travesseiro, mas depois soube que os dois tinham voltado ao atelier e, mais, passaram horas com o João. No dia seguinte, ele veio me comunicar que tinha comprado pão, leite, nescau, bolachas, sucos naturais, iogurtes para eles e comida para a Bárbara dar para os gatos. Queria que os guris se sentissem “mais em casa”. No hotel, houve certo pasmo. Bez Batti, apesar de ser receptivo e pessoa de trato fácil, não costumava disponibilizar seu tempo tão generosamente, ainda mais para crianças. Enchi-os de recomendações e eles foram para o atelier. Às vezes eu conferia a bagunça e era sempre a mesma coisa. João estava seduzido pela Bárbara, que brincava com os gatos e comia (sempre perguntando para o João rir: “Eu sou magra de ruim, né?”), enquanto o Bernardo contava histórias e fazia perguntas sobre as pedras ou qualquer outro assunto — sempre foi insuperável neste quesito. Eles levavam centenas de girinos do lago ao lado para o escultor observar… Chegavam ao hotel molhadíssimos e eu colocava as roupas cheias de barro no secador de toalhas do quarto. Guardei uma muda de roupa limpa e o resto era para encher de terra. A mãe deles que depois lavasse. Eventualmente chovia. Só ia chamá-los para o almoço ou algum passeio; a maior parte do tempo eles ficavam com o João. Ficamos amigos, claro.

Nos últimos dias, eu também permanecia no atelier. Passamos a falar sobre pedagogia e literatura. Tínhamos concepções “muito iguais” sobre como criar e acompanhar os filhos. Ríamos a respeito de ambos sermos pais-problema. Ríamos ainda mais porque ambos tínhamos terríveis ex-mulheres — ex-militantes de esquerda que se tornaram competitivas amantes do dinheiro. Na literatura, João descrevia uma vivência inteiramente diferente da minha. Tinha referências sempre muito interessantes sobre o ambiente dos livros. A cidade, os espaços, os quartos dos personagens, o campo. Ele foi capaz de descrever os ambientes das cenas principais de vários romances, coisa absolutamente distinta de minhas impressões, muito mais factuais e psicológicas. Era um outro gênero de sensibilidade e eu pensava que tudo o que ele me dizia era tão original e estranho que tinha certeza de sua absoluta inutilidade para mim. Mas nunca esqueci o quarto de Raskolnikov de que ele falava, os navios — cada um deles — de Somerset Maugham, as cenas em praças abertas, na rua ou em ambiente fechado. Tudo muito diferente do que lia. Em sua opinião, o bom escritor evita as longas descrições, pois são sempre decepcionantes e limitadoras. Bastava duas ou três coisas e o resto o leitor criava através da experiência. Tem que deixar para a gente, dizia.

Domingo, logo após o almoço, fomos procurá-lo para nos despedir. As crianças já estavam emocionadas e saudosas por antecipação, procurando o João para exporem sua confusão provavelmente na forma de lágrimas. Eu sabia que a cena seria grande. Só que não o encontramos. No momento em que pus o carro em movimento, o grande João Bez Batti veio correndo aos gritos atrás de nós, com uma pequena escultura em cada mão. Parei e saímos. Ele entregou os objetos, um para a Bárbara, outro para o Bernardo. O dono da pousada e os funcionários ficaram novamente pasmos. Nunca antes ocorrera algo assim. Notei que João represava alguma coisa em seus olhos e despediu-se rapidamemente. Então voltou, deu-me um abraço e com dificuldade falou em meu ouvido direito: “Milton, não me estraga esses guris. Não quero me despedir deles porque tenho que manter minha fama de durão, tá?”.

João, acho que atentei contra tua fama hoje."

Sem mais palavras ...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Banksy









Banksy (Bristol, 1975[1])
Nascido em Bristol, Bansky ficou anonimamente famoso com a sua streetart, com os seus graffiti. Sua identidade é incerta, não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante em seu trabalho, sempre provocativo. Os pais dele não sabem da fama do filho: "Eles pensam que sou um decorador e pintor". Recentemente, ele trocou 500 CDs da cantora Paris Hilton por cópias adulteradas em lojas de Londres, e colocou no parque de diversões Disney uma estátua-réplica de um prisioneiro de Guantánamo.

Os locais por ele escolhido são os mais diversificados. Tanto pode ser um muro em um local abandonado, como uma parede de uma loja em uma rua bem movimentada de uma metrópole; pode ser Berlin, em um monumento russo, ou na Faixa de Gaza. (…)

No início do ano passado a famosa Sotheby de Londres vendeu um quadro de Banksy por 80.000 euros. Alguns graffiti de Banksy valem mais do que as próprias casas nas quais eles foram pintados. Sua técnica é a do estêncil que ele prepara cuidadosamente em casa e na rua basta o tempo para fixá-lo e utilizar o spray.

Banksy radicaliza a Popart de Andy Warhol ao trocar a iconoclastia naïf deste por uma crítica naïf à chamada sociedade de consumo; é uma arte anticapitalista. Seus graffiti e suas pinturas são intervenções que, de um modo geral, exibem algum tipo de contraste que convidam o público a entender, pela eventual graça ou mesmo quando pretensamente sério, a denúncia desejada pelo artista.

Tiado daqui, daqui e daqui.

Mais informações aqui, site do artista aqui.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ami Vitale








«I don’t know if it’s possible to get to a truth, but I’m searching for that.»

AMI VITALE, The Digital Journalist, 2003.


"Quando a jovem Ami começou a trabalhar em edição de imagem para a Associated Press, pouco depois de se formar em Estudos Internacionais pela Universidade da Carolina do Norte, ela parecia-se ainda com uma adolescente fechada no seu pequeno universo interior, mas começava a perceber o que os mercados fotográficos de Nova Iorque e Paris estavam a pedir aos grandes fotojornalistas de todo o mundo. Talvez mais importante do que isso, ela descobriu que queria sair rapidamente da sua «introverted shell»: no seu íntimo, ela sempre achou que os fotógrafos são pessoas introvertidas à procura duma maneira de se relacionarem com o mundo («I think all photographers are introverts trying to find a way to bond with the world»).

Relacionar-se com o mundo foi, desde então, o que fez Ami Vitale, e já em 1999 — como disse Matt Brandon na The Digital Trakker de Dezembro desse mesmo ano —, talvez não fosse possível encontrar alguém que tivesse recebido tantos prémios e condecorações.

Com o dinheiro ganho a editar as imagens dos outros, sozinha e sem compromissos, Ami Vitale decidiu viajar para a Europa e fez a sua primeira grande paragem na República Checa, em 1997, porque estava impressionada com as notícias e as fotografias que lhe haviam chegado dos Balcãs. Desde então, nunca mais parou e segundo as suas contas já conheceu mais de 70 países nos cinco continentes.



Em alguns sítios onde esteve chegou a ter medo: Afeganistão, Kosovo e Índia (Caxemira, a partir de Nova Deli — onde viveu), foram lugares que a marcaram. Porém, numa entrevista concedida em Janeiro de 2003 à jornalista Susan B. Markisz, então colaboradora do The Digital Journalist, a já consagrada Ami Vitale confessou a sua paixão por África (onde também viveu). Para explicar que a sua presença como pessoa era tão ou mais importante do que a sua presença como fotojornalista, disse que em muitos lugares onde esteve recolhia os seus alimentos e fazia as suas próprias refeições, lavava a sua roupa, brincava com as crianças na rua e assistia às cerimónias religiosas: missas, funerais, casamentos, circuncisões masculinas e femininas...

Na Guiné, os filhos de Fama Jamanka, a mulher que a acolheu na sua cabana de lama, admiravam-se com a sua falta de perícia para recolher a água do poço (Ami Vitale é franzina como todas as grandes mulheres). Com alguma dificuldade, ela explicou-lhes que para conseguir água na América só tinha de carregar num botão.

Certa vez, numa noite de lua cheia, ao verificarem a expressão de surpresa da fotógrafa depois de um magnífico pôr-do-sol, um grupo de crianças perguntou-lhe se na América não havia lua. Ami vivia então como elas, um dia de cada vez como se não houvesse futuro, e ainda assim não sabia bem o que lhes responder...

Ainda hoje, na sua casa em Miami, na Florida, onde trabalha para a National Geographic e para muitas outras organizações internacionais, quando há lua cheia ela lembra-se da Guiné e deixa que uma lágrima se solte dos olhos. E agora percebe, melhor do que nunca, por que é que essas crianças conseguiam lidar tão bem com a sua tragédia.

Viver com os pobres fez de Ami Vitale uma pessoa muito mais rica. Segundo as suas próprias palavras, ela ainda não sabe se existe uma verdade, mas continua a procurá-la."
Retirado do Blog Antero de Alda

mais fotos dela aqui.
site dela, aqui.

terça-feira, 16 de março de 2010

Lucia Lou






Conheci o trabalho da mineira Lucia Lou em Belo Horizonte na loja GRAMPO. Mais pra frente farei um post só sobre a loja que é INCRIVEL!!!!!!

O trabalho da Lucia é de uma delicadeza impar!
Fios de ouro que se transformam em palavras, desenhos e objetos.
Aqui tem um pouco do trabalho dela!

"O percurso profissional de Maria Lucia Loureiro
é marcado por uma qualidade bem própria, que é o da prestação de serviço, com o uso de um vasto repertório técnico. É esta prática que propicia a ela uma formação consistente como designer. À medida que produz trabalhos para outros estilistas de joalheria, a sua arte vai sendo gerada ao longo desse percurso como que subterraneamente. Desse modo, realiza um trabalho que não se preocupa em buscar um público ou canais de comercialização, mas é desenvolvido como experimentação, como reflexão do seu fazer como designer. No panorama da contemporaneidade, o que se costuma buscar e nomear como autoral se dá, na maior parte das vezes, às avessas do caminho trilhado por Lucia Lou, o que faz da sua experiência algo bem próprio.

Mesmo hoje, quando seu trabalho sai da banca do estúdio - que sempre foi dentro de casa -, e é exposto em diferentes espaços, mesmo então ele é 100% autônomo em relação ao mercado. São peças pequeninas, leves, singelas, com acento às vezes vintage, e que trazem principalmente a marca do engenho. Alguns itens vieram à luz a partir de uma idéia engenhosa colocada em prática com uma técnica que é, na verdade, um truque, um insight executado com apuro e ligeireza.

¨As minhas peças atuais são como desenhos com fios de ouro que reciclo, às vezes de peças quebradas que compro e que têm somente o valor do metal.Daí as peças são fundidas e o ouro apurado. Depois do ouro puro, faço a liga de ouro 18k e dai puxo o fio ou a chapa.¨

A orientação de se gastar o mínimo de matérias primas é ordenadora dentro da pequena obra de Lucia L. O seu trabalho como um todo procura o pequeno, assim como o planeta Mercúrio é pequeno também dentro do sistema solar onde habitamos. São objetos mínimos, mas carregados intensamente de reverberações significantes, principalmente ligadas às áreas dos afetos.

Invenção, habilidade. E poesia. As peças de Lucia Lou têm uma aura existencial, com um toque de frescor que surpreendem por serem tão únicas!"

Tirado do blog Novo move

quarta-feira, 10 de março de 2010

Jan Smith




Eu já tinha visto o trabalho deste artista há um tempo atrás e tinha gostado muito. Não tinha visto toda a série e nem me aprofundado muito nele, mas agora revi pela B-Coolt e coloco aqui as palavras do Jorge Colombo que descrevem um pouco do trabalho do Jan.
"Jan Smith apresenta muito mais do que fotografias clicadas em baixas velocidades e longas exposições. Aliás, as imagens são muito mais do que cenários vazios e nus em movimento. Elas traduzem a estética do movimento parado numa efêmera poesia visual. [jorge colombo]"
Para quem quiser ver mais trabalhos dele, aqui.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Florian Raiss




Nos últimos dois dias me deparei com obras deste artista maravilhoso que é Florian Raiss.
As cabeças eu já conhecia de outros dias, mas essas figuras quadrúpedes, que cronologicamente chegaram primeiro que as cabeças, se apresentaram para mim agora.
Quanta doçura e delicadeza ao mesmo tempo quanta força, sexualidade!!
Mais dele aqui

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